Resenhas

A força que vem do movimento

Resenha sobre o espetáculo Um Norte que Dança. Publicada no jornal  O POVO em 14/02/2017.

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Foto: Tom Martins/ divulgação

Um Norte que Dança traz um novo olhar sobre a produção cultural da Região Norte, com releitura de fatos históricos e mistura de ritmos

Se fosse possível definir o Corpo de Dança do Amazonas em uma palavra, ela seria versatilidade. Da dança contemporânea ao tango argentino, o grupo – que esteve em Fortaleza no último fim de semana para uma maratona de apresentações – mostrou um Norte que resiste através do movimento. Com três espetáculos na agenda – Cabanagem, Milongas e A Sagração da Primavera – os bailarinos ocuparam a Caixa Cultural e encantaram o público cearense.

Fundado em 1998 e sob a direção artística de Getúlio Lima, Corpo de Dança é uma mistura de sotaques, idades e ritmos. E essa diversidade fica clara em cima do palco e na montagem dos espetáculos. Para a mostra Um Norte que Dança foram escolhidos três números independentes que possuem ritmos diferentes e contam histórias através da dança.

Na noite da quinta-feira, 9, o público conferiu Cabanagem. Inspirado na revolta popular, que ocorreu entre os anos de 1835 e 1840 na província do Grão-Pará (região norte do Brasil, atual estado do Pará), o espetáculo traz a revolução para cima do palco. Com movimentos que fogem da precisão do clássico e exaltam a força da dança contemporânea, o número incomoda ao mesmo tempo em que enche os olhos. A coreografia é dirigida por Mário Nascimento.

Os passos pesados, as séries em cânone (efeito de onda) e até a respiração ofegante dos bailarinos remetem ao clima de levante. As variações da música e as mudanças de figurinos – papel fundamental na apresentação – determinam a passagem do tempo. Se você está familiarizado com a história que está sendo contada, consegue acompanhar a revolta dos cabanos perfeitamente através da coreografia. Durante os 45 minutos em que os 13 bailarinos estiveram em cena, o clima é de tensão pelo que está por vir.

Para a sexta-feira, 10, o grupo mostrou sua capacidade de se reinventar em uma apresentação que misturou técnicas do ballet clássico com o tango argentino.

Milongas é contemporâneo sem perder a essência do tradicional. Nada da apresentação do dia anterior estava mais presente. Até a postura em cima do palco era outra.

O tango é a espinha dorsal do espetáculo. A sensualidade da dança argentina prende o espectador do início ao fim. A convergência com a dança de salão e as batidas da música eletrônica criam um cenário que foge da realidade e leva a uma atmosfera de surrealismo para a coreografia. Em 45 minutos, a coreografia de Monique Andrade é elegante e moderna.

As apresentações de A Sagração da Primavera, que iriam ocorrer no sábado, 11, e no domingo, 12, foram canceladas por conta da forte chuva do fim de semana.

Pelo que foi mostrado nos dias anteriores, o espetáculo promete ser outra bela montagem. Fica o desejo para que o grupo retorne em breve ao Ceará. Um Norte que Dança exerce o papel principal da companhia, como frisou Getúlio Lima, diretor do grupo, após a primeira noite de apresentação: mostrar que no Norte há ritmos e uma produção cultural de qualidade.

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