comportamento

Um fato isolado (o que eu aprendi com o Han Solo)

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Entrei em casa engasgada. A raiva, a tristeza e a culpa me consumiam. Como posso dar uma chance ao novo se não consigo perdoar o erro do passado? Mil ideias zumbiam na minha cabeça e o barulho me incomodava profundamente. Me joguei na cama e respirei. Fundo. Uma, duas, três vezes.  Tentei absorver e entender aquilo que eu estava sentindo para poder começar a pedir ajuda.

Culpa é um sentimento cruel. Eu já falei dela por aqui. Culpa dói por dentro. É aquela sensação de impotência, de ser um lixo. Impotente e imperfeita. Sim, é horrível. E quando um erro custa algo valioso, o sabor é ainda mais amargo.

Isso é o lado ruim. Essa a sensação que não deixa o ar entrar. Isso é o que se sente quando se erra. Agora, pare e pense. Você é esse erro? Afinal, todo mundo erra. Faz parte da essência humana. É assim que evoluímos. Um erro não pode definir você. Você tem que dar dois passos para trás e avaliar o cenário como um todo. Erro é fato isolado. Avalie o todo.

Mas, antes, entenda que a culpa tem sim um lado bom. Ela tem a pretensão de nos ensinar a ser melhor. Porém, perdoe-se logo. Não a alimente. Acredite em mim quando digo que ela é traiçoeira.

Segundo, não tenha medo de errar. E não tenha medo de assumir seu erro e nem das consequências. Aprenda que isso faz parte da vida. Lembre sempre: um erro é um fato isolado. Não é todo. Eu repito isso todo dia, uma mil vezes, até a sensação ruim passar.

Por exemplo, em Star Wars V – O Império Contra-Ataca o grande e corajoso Han Solo comete um grave engano. Ao confiar em um velho amigo, Lando Calrissian, ele acaba nas mãos do Darth Vader e é capturado e congelado em carbonite.

Foi uma grande “burrada” desde o momento em que ele resolveu procurar por seu “amigo”. Ele podia ter feito de outra maneira? Sim, podia. Podia ter desconfiado mais? Sim, ele é um guerreiro esperto e sabe dos perigos que habitam a galáxia. Porém, ele só foi. E acabou cometendo um erro.

Isso não faz do Han Solo um perdedor. Foi um fato isolado. Ele não desistiu. Não chorou muito tempo. Pediu ajuda e saiu dessa. A prova é tanta que não é por esse erro que ele é conhecido. 

Han Solo é o herói de uma saga. Foi sob o comando dele que a Millennium Falcon (o veículo mais legal da ficção científica) conseguiu completar a corrida Kessel em menos de doze “parsecs”.  Ele é o cara que encarou, com muita coragem, as temperaturas negativas do planeta de gelo Hoth para poder salvar alguém especial do feio Wampa. Sem ele, o Luke nunca teria conseguido usar a Força para destruir a Estrela da Morte.

Ele errou? Sim. Mas a Princesa Leia o salvou da carbonite e eles se apaixonaram, salvaram o universo e tiveram dois bebês Jedis. A carbonite foi um erro. Um fato isolado. Não define quem ele é.

A mesma coisa serve para vida fora da ficção científica. Um erro, pelo qual você nem tem culpa, não pode definir quem você é. Eu não sei quantas vezes eu ainda vou precisar assistir Star Wars para me sentir como o Han Solo. Ou quantas vezes eu vou chorar e me sentir péssima até conseguir respirar e clarear as ideias. Não sei por quanto tempo vou me punir por errar. Mas, eu sei que eu tenho tentado. E que amanhã, eu vou tentar de novo. E sei que agora, não tem mais zumbindo e que de uma forma geral (avaliando o todo) foi um ótimo dia.

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