Cidade

Uma manhã na loja de vinil

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Foto: Mariana Amorim

Nos últimos dias fui convidada novamente para desbravar Fortaleza em um passeio a pé. Diferente do anterior, que eu já contei aqui em outro texto, esse seria realizado em sábado pela manhã e não possuía um roteiro definido. Apenas uma parada era obrigatória: um sebo de discos, DVDs e vinis. Ao lado do meu fiel e grande amigo, Fortaleza coube na palma da minha mão.

O vento forte dessa época do ano amenizava o calor e o céu, de um absurdo azul, completava o cenário. Entre as ruas apinhadas de gente e o característico barulho do centro da Cidade em um típico sábado, o riso e a conversa fluíam de uma maneira natural e parecia não ser afetado pela correria ao redor.

Descíamos as ruas rumo ao sebo de discos e vinis do seu Carlinhos. Eu nunca tinha visitado um sebo de discos, a curiosidade estava me matando. Depois de alguns bons minutos de caminhada, chegamos ao nosso destino.  Quem passa apressado pela rua Gonçalves Ledo, uma transversal da Monsenhor Tabosa, na Praia de Iracema, em Fortaleza, pode não notar a pequena da loja ao lado de um café. Mas, lá dentro, existe um mundo.

O espaço físico deve ser um pouco maior do que meu quarto, a loja é um paraíso para os amantes da música. Estantes e caixas guardam referencias e histórias. Meu amigo, que entende de música como poucas pessoas no mundo, procurava discos específicos e raros de gente que fez boa música e deixou legado, que apesar de não tocar nas grandes rádios, é o que deveria ser ensinado nas escolas.

Tenho que admitir, eu parecia criança em loja de brinquedos. Caixas e mais caixas cheias de discos e vinis estavam espalhadas e eu não sabia por onde começar. Fiquei onde estavam os vinis. Meus olhos percorriam as estantes em busca de rostos conhecidos. Meus amigos sempre dizem que eu tenho gosto musical de um velho, eu me orgulho disso.

Quando dei conta, eu estava sentada no chão cercada de discos e histórias. O mais interessante de um sebo, é que o disco não é só o disco. Ou o livro não é só livro. Aquele objeto tem uma história, um passado. Ele pertenceu a alguém. Pare e pense: uma pessoa comprou aquilo em algum lugar, levou para casa, ouviu aquelas músicas, dançou ou chorou. E depois, resolveu que era hora de passar para frente.

Passamos a manhã naquela pequena loja. Outras pessoas chegaram e somaram conhecimentos e histórias. Aprendi mais sobre Chico, Cazuza e Caetano. Conheci bandas de rock da década de 1980, descobri que existe disco de vinil da Disney. Porém, o melhor de tudo, é gente comum que não se conhece – conversando como bons e velhos amigos.  São coisas que não podem ser perdidas. São costumes que não devemos deixar passar. É simples, é o que se faz por estar vivo.

E foi isso que levei dessa deliciosa manhã, que não terminou por aí. O sebo do seu Carlinhos guarda muito mais que música. Guarda risos, histórias e um pouco do que é ser gente. De viver e ser feliz só por isso, ser feliz por poder andar na calçada, por tomar sorvete e por comprar velhos discos.

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