comportamento

A menina e o espelho

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Publicado originalmente: 03.10.2016

Já faz algum tempo que acordo com vontade de ser outra pessoa. Nem que seja só por alguns minutos. A verdade é que ando cansada de mim mesma, de corpo e de alma. Gostaria de abrir um zíper nas costas e sair daqui de dentro. Eu sinto que meus ombros pedem um descanso de algo que nem está apoiado neles. É como se a vida estivesse pesada. É estranho.

A verdade é que nas últimas semanas me olho no espelho e vejo alguém que precisa de uma pausa: um intervalo ou até mesmo um ponto final para começar uma nova estrofe, bem diferente da última. É engraçado porque eu nunca fui disso. De pensar em ser outra pessoa. Eu gosto de mim, ou melhor, eu acho que gosto. Porém, acordo todos os dias exausta. A sensação aqui é de quem correu uma maratona. O despertador toca e eu só quero afundar no travesseiro e voltar para a terra de Morfeu. Por isso, não sei quem é essa pessoa que tá morando aqui dentro de mim.

Tenho evitado me olhar no espelho. Ele tem mostrado mais do que eu realmente quero enxergar. As unhas roídas e o olhos sempre baixos denunciam o caos interior. Durante o banho, eu peço para que a água leve tudo de mim embora. Junto com o cheiro do xampu de lavanda, que ainda é meu preferido, mentalizo quem sou e quem quero ser.  O banho poderia ser águas de novas experiências ou, sei lá, uma nova vida. Pronto.

Acordo de ressaca de uma versão de mim que eu não quero mais, com a qual já não me identifico.

Se tivesse uma forma de deixar a água do banho levar embora tudo aquilo que pesa, eu deixaria. Ficaria embaixo do chuveiro tanto tempo fosse necessário. E sairia dali dando piruetas rumo a uma nova vida. Porque eu me sinto exausta.

Agosto passou e não foi amigável. Cruel é palavra certa. Eu pensei que depois que ele fosse embora o ar fosse ficar mais leve. Porém, ele foi furacão e deixou o meu interior em estado de emergência. Setembro não foi melhor. A verdade é que não sei o que quero, não sei o que posso e não sei o que devo. E eu afirmo: a pior coisa do mundo é duvidar de você mesma.

A vontade é apenas uma: que isso passe. É como um grande amigo sempre fala: “eles passam e você passarinho”. Ele afirma com tanta certeza que meu riso é de passarinho, que sou obrigada acreditar. É o que quero. Quero voltar a sorrir como passarinho.

Reconhecer a menina no espelho. A menina que gosta de tomar sorvete na praça, que gosta de andar a pé pela cidade. Sentir aquele frescor do vento rápido no rosto, do frio na barriga pela novidade. Quero poder me olhar no espelho e sentir orgulho do que sou. Sem essa sombra do medo ao meu redor. Seria interessante provar destas sensações tão empolgantes nos próximos trinta dias, sem interrupções, sem espaços para a dúvida, a tristeza e todas aquelas velharias que me assombram agora.

Eu não sei por onde começar. A única coisa que sei é que aqui dentro, existe a vontade de me libertar desta caixa que me prende e colocar o rosto para fora. De olhar para o futuro e inspirar aquilo que sei que está por vir.  Meu desejo para outubro? É que me traga ar puro.

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